Depois da noite diluviana, o dia que nasceu era bem filho da mesma mãe. Do ventre do pesadelo nocturno nasceu um dia escuro, noite-quase, de tão cinzento, molhado, prenhe de trovões ribombantes, e rajadas de vento, que ameaçavam reduzir a nada o abarracado de madeira que servia de acampamento. Sob aquela tempestade tropical, pairava uma certeza triste a cheirar a axioma divorciado de qualquer demonstração: para onde ir? que fazer? Certeza axiomática...para parte nenhuma! Aquela chuva torrencial a cheirar a terra fértil, com húmus em fermentação, invocava, eficazmente, o balaio da mulher de Atenas - ou guerra ou balaio!
Então, paralelamente, aquela bátega tropical, qual mítico balaio, reduziu a guerra ao grau zero da sua eficácia. A chover daquela maneira nem a guerra pátria era possível. Numa retirada, que Von Clausewitz nunca teria concebido, a tropa-guerreira, jogou cartas, (des) escutou rádio - com muita estática -, escreveu muitos "bate-estradas" para esposas, namoradas, madrinhas de guerra, rádio ecclésia (emissora católica de Angola)... e até à Dª Cecília Supico Pinto. Alguns mais aplicados, limparam as armas, com tanto apego e aprumo, que bem vistas as coisas, mais pareciam carícias os gestos com limpavam as armas.
Num dia estupidamente quente, húmido, peganhento, fechados num rectângulo de 10x4 mts, atazanados por mosquitos, mesmerizados pelo tédio e com a certeza de que não havia lado nenhum para ir, vinte e cinco homens fechados num barracão-caserna, evadiram-se da guerra, diluindo-se, camuflados nos aerogramas (bate-estradas) a caminho do Puto.
Naquele dia foi assim, os aerogramas transformaram-se nos arautos de sonhos, promessas, juras de amor, pedidos de casamento, demonstrações de bravura. Consta que, as fotografias enviadas do DestacMarFuz-Tridente para as diferentes amadas da metrópole testemunhavam destemidos guerreiros em poses de Marte ou de Poseidon, possuindo as armas com um destemor e uma fúria guerreira, que quem as recebeu e as passou de mão em mão, garantiu, jurou até, que com tais soldados a vitória era certa.
Lá longe, no DestacMarfuz Tridente, contornando e sonegando as imagens compostas para deleite das amadas, os homens prolongavam com gestos voluptuosos o deboche de lubrificar as armas (G-3, bazooka, morteiro, lança-chamas, era uma secção de armas pesadas), em gestos repetidos e dengosos, como se tangessem guitarras ou passeassem as mãos carentes de afectos pelo corpo desta ou daquela mulher.
A puta da bátega é que não arredava pé... chovia por todas as roturas plúmbeas, em rajadas furiosas, numa maré diluviana que metralhava o telhado de zinco sobre a nossa cabeça e, cada trovão mais forte que o anterior, ameaçava levar para nenhures o zinco da cobertura, que numa postura de guerra resistiu metalicamente.
Não houve outro dia. Por dezoito horas ininterruptas, rio e atmosfera confundiram-se nos tons e nos soms e foram testemunhas de como naquele período de tempo a guerra não existiu.
Lá pelas 23h15zulu, a tormenta amainou. Sobrou água e humidade bastante para que o calor da noite tropical multiplicasse mosquitos incontáveis, enquanto as primeiras manifestações violentas de malária, marcaram presença e impuseram intervenção imediata.
Contra um inimigo dificílimo - a malária - quase imbatível, iria começar uma guerra, sem trégua nem quartel, face à qual táctica e estratégia, resoquina, daracolor, daraprin e outras munições disponíveis se iriam consumir sem paz nem vitória.
Aquela guerra que agora iniciávamos parecia tão perdida como nós nos sentimos perdidos naquele dia: estáticos, inúteis manipuladores de armas que raramente faziam fogo e, com frequência, se afogavam no rio ou entregavam as suas estrias à ferrugem, filha de puta, parida por aquele clima.
Negra ia a noite e, em terra de negros, eram negros os pensamentos. Boa Noite, disse às minhas pálpebras, ajeitando a bic para repousar no camuflado antes que a escrita azedasse... e, porque não...? Boa Noite, também, para as esposas, namoradas, madrinhas de guerra, destinatárias dos nossos votos: muitas aventuras e muitas prosperidades (ou eram propriedades?...) Não há lembrança exacta de uma noite que nasceu para ser esquecida. No rescaldo deste dia tormentoso um naufrágio-quase aconteceu... as consequências seguir-se-ão, mas sempre se anticipa que a ideia desta guerra, aquela incutida na preparação militar afundou-se... docemente, no calor das coxas da Lugolina.
Num dia estupidamente quente, húmido, peganhento, fechados num rectângulo de 10x4 mts, atazanados por mosquitos, mesmerizados pelo tédio e com a certeza de que não havia lado nenhum para ir, vinte e cinco homens fechados num barracão-caserna, evadiram-se da guerra, diluindo-se, camuflados nos aerogramas (bate-estradas) a caminho do Puto.
Naquele dia foi assim, os aerogramas transformaram-se nos arautos de sonhos, promessas, juras de amor, pedidos de casamento, demonstrações de bravura. Consta que, as fotografias enviadas do DestacMarFuz-Tridente para as diferentes amadas da metrópole testemunhavam destemidos guerreiros em poses de Marte ou de Poseidon, possuindo as armas com um destemor e uma fúria guerreira, que quem as recebeu e as passou de mão em mão, garantiu, jurou até, que com tais soldados a vitória era certa.
Lá longe, no DestacMarfuz Tridente, contornando e sonegando as imagens compostas para deleite das amadas, os homens prolongavam com gestos voluptuosos o deboche de lubrificar as armas (G-3, bazooka, morteiro, lança-chamas, era uma secção de armas pesadas), em gestos repetidos e dengosos, como se tangessem guitarras ou passeassem as mãos carentes de afectos pelo corpo desta ou daquela mulher.
A puta da bátega é que não arredava pé... chovia por todas as roturas plúmbeas, em rajadas furiosas, numa maré diluviana que metralhava o telhado de zinco sobre a nossa cabeça e, cada trovão mais forte que o anterior, ameaçava levar para nenhures o zinco da cobertura, que numa postura de guerra resistiu metalicamente.
Não houve outro dia. Por dezoito horas ininterruptas, rio e atmosfera confundiram-se nos tons e nos soms e foram testemunhas de como naquele período de tempo a guerra não existiu.
Lá pelas 23h15zulu, a tormenta amainou. Sobrou água e humidade bastante para que o calor da noite tropical multiplicasse mosquitos incontáveis, enquanto as primeiras manifestações violentas de malária, marcaram presença e impuseram intervenção imediata.
Contra um inimigo dificílimo - a malária - quase imbatível, iria começar uma guerra, sem trégua nem quartel, face à qual táctica e estratégia, resoquina, daracolor, daraprin e outras munições disponíveis se iriam consumir sem paz nem vitória.
Aquela guerra que agora iniciávamos parecia tão perdida como nós nos sentimos perdidos naquele dia: estáticos, inúteis manipuladores de armas que raramente faziam fogo e, com frequência, se afogavam no rio ou entregavam as suas estrias à ferrugem, filha de puta, parida por aquele clima.
Negra ia a noite e, em terra de negros, eram negros os pensamentos. Boa Noite, disse às minhas pálpebras, ajeitando a bic para repousar no camuflado antes que a escrita azedasse... e, porque não...? Boa Noite, também, para as esposas, namoradas, madrinhas de guerra, destinatárias dos nossos votos: muitas aventuras e muitas prosperidades (ou eram propriedades?...) Não há lembrança exacta de uma noite que nasceu para ser esquecida. No rescaldo deste dia tormentoso um naufrágio-quase aconteceu... as consequências seguir-se-ão, mas sempre se anticipa que a ideia desta guerra, aquela incutida na preparação militar afundou-se... docemente, no calor das coxas da Lugolina.
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