terça-feira, 8 de abril de 2008

Africa, renascer

A ordem foi peremptória: Vais! Embarcas dia 28 de Fevereiro de 1963, vê se não falhas o embarque.
Na noite do embarque, casualmente, encontram-se no Aeroporto, o 2º grumete FZE a a jovem varina. Ambos jovens e as perguntas costumeiras:
- Para onde vais?
- Para Angola.
- Qures ir? És voluntário para Angola?
- Não, fui mobilizado.
- Porque não desertas e vens viver comigo?

O convite foi reforçado com um beijo, quente, húmido - fazia muito frio. Depois de vários beijos, o aviso: "4º Destacamento de Fuzileiros Especiais, comparecer na sala de embarque". Eram 23:45 H, na pista o quadrimotor superconstelattion aguardava. Carregou, rolou, descolou, descreveu um arco de círculo sobre as instalações da Sacor. Abaixo do bojo da aeronave que roncava no esforço da subida, um mar de pontos de luz, imagem da cidade de Lisboa. Imagem nova, resplandecente, só muito mais tarde compreendi a mensagem... "Se agora vais de partida... que vida boa era a de Lisboa"
Sobre o deserto do Sahra, chegou o sonho, Boa Noite.

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